Um passo em falso em um terreno irregular, uma aterrissagem mal calculada após um salto ou simplesmente descer um degrau distraído. De repente, o pé vira para dentro, seguido de uma dor aguda e imediata na parte lateral do tornozelo. Esse cenário descreve a clássica Entorse de Tornozelo, uma das lesões traumáticas mais frequentes em prontos-socorros ortopédicos. Embora muitas vezes encarada como algo simples, uma entorse mal curada pode levar a dores crônicas e instabilidade permanente na articulação.
A patologia da entorse ocorre quando os ligamentos que estabilizam o tornozelo são esticados além de sua capacidade elástica, podendo sofrer microrrupturas ou até rompimento total. O tipo mais comum é a entorse por inversão, onde o pé vira para dentro, lesionando os ligamentos laterais (especialmente o talofibular anterior). A gravidade da lesão é classificada em três graus: Grau 1 (estiramento leve), Grau 2 (ruptura parcial) e Grau 3 (ruptura total dos ligamentos), cada um exigindo um tempo e protocolo de recuperação diferentes.
Os sintomas surgem quase instantaneamente. A dor é o primeiro sinal, localizada na parte externa do tornozelo. O inchaço (edema) costuma aparecer rapidamente, muitas vezes acompanhado de um hematoma (roxo) que pode descer para o pé e os dedos nos dias seguintes. A dificuldade para colocar o pé no chão e caminhar é proporcional à gravidade da lesão. Em casos mais severos, pode haver uma sensação de frouxidão ou instabilidade na articulação.
As causas são variadas, mas quase sempre envolvem um trauma torcional. Atletas de futebol, basquete e vôlei estão mais expostos devido às mudanças bruscas de direção e saltos. No entanto, o uso de calçados inadequados (como saltos altos ou sapatos instáveis), caminhar em superfícies esburacadas e a fraqueza muscular nos tornozelos são fatores de risco significativos para a população em geral. Pessoas com histórico de entorses anteriores têm maior chance de nova lesão devido à instabilidade residual.
O diagnóstico é feito através de exame clínico, onde o ortopedista avalia os pontos de dor, o inchaço e a estabilidade dos ligamentos. Para descartar fraturas ósseas associadas – que podem ocorrer na fíbula ou no quinto metatarso – o Raio-X é o exame inicial padrão. Em casos de suspeita de lesões ligamentares graves, lesões na cartilagem (osteocondrais) ou dor persistente, a Ressonância Magnética é solicitada para um mapeamento detalhado das estruturas moles.
O tratamento imediato segue o protocolo PRICE (Proteção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação). Nas fases iniciais, o uso de imobilizadores (botas ortopédicas ou tornozeleiras) e muletas pode ser necessário para proteger os ligamentos em cicatrização. Medicamentos anti-inflamatórios ajudam no controle da dor. A cirurgia é reservada para casos raros de instabilidade crônica grave que não respondem ao tratamento conservador ou em lesões agudas muito específicas em atletas de alta performance.
A reabilitação é o divisor de águas entre um tornozelo saudável e um tornozelo que “vira” o tempo todo. A fisioterapia é essencial não apenas para recuperar o movimento e a força, mas principalmente para o treino de propriocepção (equilíbrio). Esse treino “ensina” o cérebro a reposicionar o pé rapidamente para evitar novas torções. A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor oferece uma estrutura completa para tratar sua entorse, desde o diagnóstico de imagem até a reabilitação funcional, garantindo que você volte a caminhar e praticar esportes com segurança e estabilidade.