Capsulite Adesiva

Sentir o ombro ficar progressivamente rígido, a ponto de não conseguir mais coçar as costas ou alcançar um objeto em uma prateleira alta, é uma experiência frustrante e dolorosa. Essa condição, conhecida como Capsulite Adesiva ou “Ombro Congelado”, é uma patologia que impacta severamente a autonomia do paciente. Compreender as fases dessa doença é fundamental para que o tratamento seja iniciado precocemente, evitando que a articulação permaneça “travada” por meses ou até anos.
A patologia reside na cápsula articular do ombro, um tecido conjuntivo que envolve a articulação. Por razões ainda não totalmente esclarecidas, essa cápsula sofre um processo inflamatório intenso que leva ao seu espessamento e à formação de cicatrizes (aderências). Esse endurecimento do tecido diminui drasticamente o espaço interno da articulação e limita o volume de líquido sinovial, fazendo com que o ombro perca sua capacidade de deslizar suavemente, resultando na rigidez característica.
Os sintomas da capsulite adesiva costumam progredir em três fases distintas. Na fase “inflamatória”, a dor é o sintoma dominante e piora muito à noite. Na fase de “congelamento”, a dor pode diminuir levemente, mas a rigidez se torna severa, impedindo quase todos os movimentos do braço. Por fim, na fase de “descongelamento”, a amplitude de movimento começa a retornar lentamente. Esse ciclo completo, se não tratado, pode durar de um a dois anos, gerando grande desgaste emocional ao paciente.
As causas podem ser primárias (idiopáticas) ou secundárias a outros fatores de saúde. Pacientes diabéticos ou com alterações na tireoide possuem um risco significativamente maior de desenvolver a condição. Além disso, imobilizações prolongadas após cirurgias ou fraturas, bem como outras lesões prévias no ombro, como tendinites graves, podem servir de gatilho para o início do processo inflamatório na cápsula.
O diagnóstico é realizado primordialmente através da avaliação clínica feita por um ortopedista especialista em ombro. Durante o exame, o médico observa a perda da movimentação passiva (quando o médico move o braço do paciente) e ativa. Exames de imagem, como a Ressonância Magnética, são úteis para confirmar o espessamento capsular e descartar outras patologias que simulam a rigidez, como a artrose ou grandes rupturas tendíneas.
O tratamento visa o controle da dor e a restauração da mobilidade, exigindo paciência do paciente. Na fase inicial, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos são fundamentais. Bloqueios de nervos e infiltrações articulares podem ser realizados para permitir que o paciente suporte o tratamento físico. Em casos refratários, procedimentos como a hidrodilatação (expansão da cápsula com líquido) ou a liberação cirúrgica por artroscopia podem ser indicados para “soltar” a articulação.
A reabilitação através da fisioterapia é o pilar central para o sucesso do tratamento em todas as fases. Exercícios suaves de ganho de amplitude, terapia manual e técnicas de mobilização ajudam a prevenir que a rigidez se torne permanente. A prevenção envolve o controle rigoroso de doenças metabólicas e evitar o repouso absoluto do ombro após pequenas lesões. A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor oferece atendimento especializado, com equipe multidisciplinar preparada para atuar desde o diagnóstico até a completa recuperação funcional do seu ombro.

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