Dificuldade para abrir a tampa de um pote, girar a chave na fechadura, abotoar uma camisa ou simplesmente segurar uma caneta com firmeza são queixas cotidianas que podem parecer um sinal natural de cansaço ou envelhecimento, mas que muitas vezes revelam uma condição ortopédica específica. Trata-se da Rizartrose, também conhecida como artrose da base do polegar. Por afetar o dedo mais importante para a função de pinça e preensão da mão, essa patologia pode ser altamente incapacitante, comprometendo drasticamente a qualidade de vida e a autonomia para tarefas básicas do dia a dia se não for tratada de forma precoce e adequada.
A patologia consiste no desgaste progressivo e degenerativo da cartilagem na articulação trapeziometacarpiana, localizada na base do polegar, que conecta o osso trapézio (no punho) ao primeiro metacarpo (no dedo). Em uma articulação saudável, a cartilagem permite que esses ossos deslizem suavemente entre si, absorvendo os impactos dos movimentos de pinça. Com o desgaste dessa barreira natural, o atrito direto entre os ossos gera uma inflamação crônica, levando à perda de espaço articular, formação de osteófitos (esporões ósseos) e, em casos avançados, à deformidade e subluxação (deslocamento parcial) da articulação.
Os sintomas costumam se desenvolver de forma lenta, mas contínua, começando com uma dor sorda e localizada na base do polegar, que piora ao realizar atividades que exigem força de pinça ou torção. O paciente pode notar inchaço, sensibilidade ao toque na lateral do punho e uma sensação de “areia” ou estalos (crepitação) ao movimentar o dedo. Com o tempo, há uma perda progressiva da força para segurar objetos e, em estágios avançados, a articulação pode apresentar uma deformidade visível em “Z”, acompanhada de rigidez que limita severamente o movimento de oponência do polegar.
As causas da rizartrose são multifatoriais, tendo como principal fator de risco o desgaste natural decorrente do envelhecimento, sendo muito mais frequente em mulheres após a menopausa, devido à frouxidão ligamentar natural e alterações hormonais. A predisposição genética e o histórico familiar também desempenham um papel crucial. Além disso, o uso excessivo e repetitivo da articulação em atividades domésticas, profissionais ou manuais ao longo da vida, bem como traumas anteriores, como fraturas ou entorses graves no polegar, aceleram significativamente o processo de degeneração.
O diagnóstico é realizado por um médico ortopedista por meio de um exame clínico detalhado. O especialista avaliará a mobilidade da mão e aplicará testes específicos, como o teste de compressão e rotação da articulação (grind test), para provocar o incômodo e avaliar a estabilidade. Para confirmar a presença da rizartrose, medir o grau de desgaste (classificado de I a IV) e identificar a presença de osteófitos ou desalinhamentos ósseos, o exame de Raio-X da mão em posições específicas é o padrão-ouro e, geralmente, o único necessário para guiar o tratamento.
O tratamento da rizartrose varia de acordo com a gravidade e o impacto na rotina do paciente. Em fases iniciais e moderadas, a abordagem conservadora apresenta excelentes resultados, combinando o uso de órteses (talas especiais) para imobilizar e descansar a articulação, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, e compressas mornas ou de gelo. Em casos de dor persistente, a infiltração articular com corticoides ou a viscosuplementação (ácido hialurônico) podem ser recomendadas para aliviar a inflamação. A cirurgia, que pode envolver a retirada do osso trapézio (trapezectomia) ou a reconstrução ligamentar, é reservada para casos graves que não respondem às terapias clínicas.
A reabilitação através da fisioterapia e terapia ocupacional é fundamental para preservar a função da mão. O foco é o fortalecimento dos músculos estabilizadores do polegar, técnicas de proteção articular e o aprendizado de formas adaptadas de realizar as atividades diárias para reduzir a sobrecarga sobre a articulação. A prevenção de crises futuras envolve evitar o esforço excessivo contínuo e o uso de utensílios adaptados (como abridores de potes facilitados). A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor conta com uma equipe especializada em cirurgia e reabilitação da mão, preparada para diagnosticar e tratar a rizartrose de forma individualizada, devolvendo a funcionalidade e o conforto aos seus movimentos.