A dificuldade progressiva para realizar tarefas simples, como amarrar os sapatos, cortar as unhas dos pés ou levantar-se de uma cadeira baixa, muitas vezes sinaliza mais do que o simples passar dos anos. Quando essas limitações vêm acompanhadas de dor na região da virilha, na nádega ou na lateral da coxa, que piora ao caminhar e alivia com o repouso, é provável que estejamos diante de um quadro de Artrose do Quadril, também conhecida clinicamente como Coxartrose. Esta é uma doença degenerativa que afeta a articulação coxofemoral e pode impactar significativamente a mobilidade e a independência do indivíduo.
A patologia da coxartrose consiste no desgaste progressivo da cartilagem articular que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo (a cavidade na bacia onde o fêmur se encaixa). Em um quadril saudável, essa cartilagem permite um deslizamento suave e sem atrito entre os ossos. Na artrose, a cartilagem torna-se áspera, fina e, em estágios avançados, pode desaparecer completamente, levando ao contato direto “osso com osso”. Esse atrito gera inflamação crônica, dor, rigidez e a formação de “bicos de papagaio” (osteófitos) ao redor da articulação, numa tentativa do corpo de estabilizar a área.
Os sintomas costumam evoluir lentamente ao longo de meses ou anos. O sinal mais clássico é a dor mecânica: ela surge com o movimento (andar, subir escadas) e melhora ao sentar ou deitar. É comum a dor se localizar na virilha, podendo irradiar para a parte interna da coxa até o joelho. A rigidez matinal, aquela sensação de “ferrugem” ao acordar que melhora após os primeiros passos, também é frequente. Com a progressão da doença, o paciente pode começar a mancar e perder a capacidade de abrir ou girar a perna.
As causas da artrose do quadril podem ser primárias, relacionadas ao envelhecimento natural e à predisposição genética, ou secundárias, decorrentes de outros fatores. Entre as causas secundárias mais comuns estão o excesso de peso (que sobrecarrega a articulação), traumas antigos (fraturas no quadril), doenças inflamatórias (como a artrite reumatoide) e alterações no formato do quadril presentes desde o nascimento ou infância, como a displasia do desenvolvimento do quadril ou o impacto femoroacetabular.
O diagnóstico é realizado pelo médico ortopedista através da combinação do histórico clínico e do exame físico, onde são avaliados a marcha do paciente e a amplitude de movimento do quadril, que geralmente se encontra reduzida e dolorosa. Para confirmar o diagnóstico e estadiar a gravidade do desgaste, o exame de Raio-X da bacia é fundamental, mostrando a diminuição do espaço articular e a presença de osteófitos. Em fases muito iniciais, a Ressonância Magnética pode ser útil.
O tratamento da coxartrose visa aliviar a dor e melhorar a função, e a abordagem depende da gravidade dos sintomas. Inicialmente, o tratamento é conservador: controle do peso corporal é crucial para reduzir a carga sobre o quadril, analgésicos e anti-inflamatórios ajudam nas crises de dor, e o uso de bengalas pode ser indicado para poupar a articulação. A fisioterapia é essencial para manter a mobilidade e fortalecer a musculatura ao redor do quadril, estabilizando a articulação.
Quando o tratamento conservador não é mais suficiente para controlar a dor e a perda de qualidade de vida é significativa, a cirurgia de Artroplastia Total do Quadril (prótese de quadril) é considerada. Este procedimento, que substitui a articulação desgastada por componentes artificiais, tem altíssimas taxas de sucesso na eliminação da dor e restauração da mobilidade. A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor conta com especialistas em quadril experientes para avaliar seu caso e indicar o melhor caminho terapêutico, do tratamento conservador às técnicas cirúrgicas mais modernas.