A dor aguda na parte de trás do calcanhar, especialmente ao dar os primeiros passos pela manhã ou logo após uma corrida, é um sinal de alerta que muitos ignoram até que se torne insuportável. Esse sintoma é a marca registrada da Tendinite de Aquiles, uma inflamação no tendão mais forte e espesso do corpo humano. Essencial para o ato de caminhar, correr e saltar, quando esse tendão é sobrecarregado, a mobilidade fica seriamente comprometida.
A patologia afeta o Tendão de Aquiles (ou tendão calcâneo), que conecta os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar. A tendinite ocorre quando há uma sobrecarga repetitiva que causa microlesões nas fibras do tendão. Se o corpo não tiver tempo para reparar esses danos, inicia-se um processo inflamatório ou degenerativo (tendinose), tornando o tendão mais espesso, rígido e doloroso. É uma condição muito comum em corredores e em pessoas que aumentam subitamente a intensidade de seus treinos.
Os sintomas típicos incluem dor e rigidez na região do tendão, logo acima do calcanhar. A rigidez matinal é muito comum, melhorando levemente com o movimento conforme a região “aquece”, mas a dor retorna com intensidade após a atividade física. Em casos mais crônicos, pode-se notar um inchaço visível ou um espessamento (nódulo) ao longo do trajeto do tendão, e a dor pode se tornar constante, dificultando até mesmo o uso de sapatos fechados.
As causas geralmente estão ligadas a erros de treinamento, como aumento abrupto da distância ou velocidade, e corrida em superfícies muito rígidas ou inclinadas. Fatores biomecânicos também pesam muito: o encurtamento da musculatura da panturrilha, a pisada pronada excessiva e a presença de deformidades ósseas no calcanhar (Deformidade de Haglund) aumentam a tensão sobre o tendão. O uso de calçados desgastados ou inadequados para o tipo de pisada também é um fator de risco.
O diagnóstico é eminentemente clínico. O ortopedista palpa o tendão para localizar o ponto exato da dor e avaliar a presença de espessamento ou rupturas. Testes de mobilidade do tornozelo também são realizados. Para confirmar a extensão da inflamação e descartar rupturas parciais ou totais, exames de imagem como a Ultrassonografia ou a Ressonância Magnética são frequentemente solicitados, guiando a escolha do melhor tratamento.
O tratamento conservador é eficaz na maioria dos pacientes, mas exige paciência, pois tendões têm uma recuperação lenta. A abordagem inicial envolve o protocolo de proteção: repouso, gelo e uso de calcanheiras de silicone para elevar levemente o calcanhar e aliviar a tensão no tendão. Anti-inflamatórios podem ajudar na fase aguda. Terapias como Ondas de Choque têm mostrado ótimos resultados em casos crônicos, estimulando a regeneração do tecido.
A reabilitação através da fisioterapia é o pilar fundamental para a cura definitiva. Exercícios excêntricos (fortalecimento enquanto o músculo se alonga) são o “padrão-ouro” para remodelar as fibras do tendão. Além disso, o alongamento da panturrilha e a correção da pisada são vitais para prevenir novas crises. Ignorar a dor pode levar à ruptura do tendão, uma lesão grave que exige cirurgia. A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor conta com uma equipe especializada em pé e tornozelo para oferecer o tratamento mais moderno e eficaz para sua recuperação.