Sentir um desconforto constante na frente do joelho ao subir um lance de escadas, ouvir estalos ou “areia” ao dobrar a perna, ou sentir dor após ficar muito tempo sentado são queixas frequentes em consultórios ortopédicos. Esses sintomas geralmente apontam para a Condromalácia Patelar, também conhecida como “joelho de corredor”. Embora o nome possa assustar, trata-se de um desgaste da cartilagem que, se compreendido e tratado a tempo, pode ser controlado para evitar limitações maiores no futuro.
A patologia envolve o amolecimento e o desgaste da cartilagem articular que reveste a parte posterior da patela (o osso redondo na frente do joelho). Em um joelho saudável, a patela desliza suavemente sobre o fêmur durante o movimento. Na condromalácia, esse deslizamento se torna áspero devido à degeneração da cartilagem, aumentando o atrito entre os ossos. Esse processo inflamatório gera dor e, se não tratado, pode evoluir para uma artrose patelofemoral.
Os sintomas variam de acordo com o grau do desgaste, que vai do grau I (amolecimento) ao grau IV (exposição óssea). O sintoma mais clássico é a dor na região anterior do joelho ou “atrás” da patela, que se intensifica em atividades que aumentam a pressão na articulação, como agachar, correr ou descer rampas. A crepitação (barulho de estalo ou sensação de atrito) durante o movimento e um leve inchaço após esforços também são sinais comuns que não devem ser ignorados.
As causas são frequentemente multifatoriais. Desalinhamentos anatômicos, como a lateralização da patela ou alterações na pisada, são fatores de risco importantes. No entanto, o desequilíbrio muscular é uma das principais causas: quando os músculos da coxa (quadríceps) estão fracos ou encurtados, eles não conseguem estabilizar a patela corretamente durante o movimento. O excesso de carga em atividades de impacto e o uso de calçados inadequados também contribuem para o quadro.
O diagnóstico é realizado pelo médico ortopedista através de um exame físico minucioso, avaliando a mobilidade da patela, a força muscular e o alinhamento dos membros inferiores. Embora o raio-X possa mostrar o alinhamento ósseo, a Ressonância Magnética é o exame ideal para visualizar a cartilagem e classificar o grau exato da lesão, permitindo um planejamento terapêutico mais assertivo.
O tratamento é, na imensa maioria dos casos, conservador. O objetivo inicial é controlar a dor e a inflamação com gelo, repouso relativo das atividades de impacto e medicações prescritas. Em alguns casos, a viscosuplementação (injeção de ácido hialurônico) pode ser indicada para lubrificar a articulação e melhorar a nutrição da cartilagem. A cirurgia é reservada apenas para casos muito avançados ou quando há falha no tratamento conservador.
A chave para a recuperação da condromalácia é a reabilitação física. A fisioterapia é indispensável para fortalecer especificamente a musculatura do quadríceps (especialmente o vasto medial) e alongar a cadeia posterior, reequilibrando as forças que atuam no joelho. A correção da biomecânica da corrida ou da caminhada previne a recidiva. A ClinDor Ortopedia & Clínica da Dor oferece uma abordagem completa para a saúde do seu joelho, com especialistas prontos para diagnosticar, tratar e reabilitar sua articulação com segurança.