Levantar o braço para pegar algo no armário, vestir uma camisa ou até mesmo pentear os cabelos pode se tornar uma tarefa excruciante quando se está sofrendo de dor no ombro. Frequentemente, essa dor e a limitação de movimento são sintomas de Bursite no Ombro, uma condição inflamatória que afeta a bolsa sinovial da articulação. Reconhecer os sinais e compreender o que causa essa inflamação é crucial para buscar o tratamento adequado e evitar que o problema se torne crônico.
A patologia da bursite no ombro refere-se à inflamação da bursa subacromial-subdeltoidea. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido sinovial que atuam como amortecedores naturais, localizadas entre tendões, músculos e ossos, facilitando o deslizamento e reduzindo o atrito durante o movimento. No ombro, essa bursa específica se encontra abaixo do acrômio (parte óssea da escápula) e do músculo deltoide, protegendo os tendões do manguito rotador. Quando ela inflama, incha e causa dor ao ser comprimida durante os movimentos.
Os sintomas da bursite no ombro são geralmente bem característicos. A dor é o sinal mais proeminente, localizada na parte superior ou lateral do ombro e que pode irradiar para o braço. Essa dor tipicamente piora com movimentos de elevação lateral ou frontal do braço, ao tentar dormir sobre o lado afetado ou ao realizar tarefas que exigem esforço do ombro. Pode haver também sensibilidade ao toque na região e, em casos mais avançados, uma limitação notável na amplitude de movimento da articulação.
Diversos fatores podem levar à inflamação da bursa. As causas mais comuns incluem movimentos repetitivos do braço acima da cabeça (comuns em esportistas como nadadores ou tenistas, e em algumas profissões), traumas diretos na região do ombro ou quedas. Além disso, a bursite pode ser secundária a outras condições, como tendinopatias do manguito rotador (especialmente a tendinite do supraespinhal), má postura crônica ou doenças como artrite reumatoide.
O diagnóstico da bursite no ombro começa com uma minuciosa avaliação clínica realizada por um ortopedista. O médico irá questionar sobre a natureza da dor, os movimentos que a agravam e o histórico do paciente. O exame físico incluirá a palpação da região do ombro e a realização de testes específicos para avaliar a amplitude de movimento e identificar os tendões e estruturas afetadas. Para confirmar a inflamação da bursa e descartar outras patologias associadas, exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética são frequentemente solicitados.
O tratamento da bursite no ombro geralmente é conservador e focado em aliviar a dor e a inflamação. Isso envolve repouso relativo da articulação, aplicação de gelo, uso de medicamentos anti-inflamatórios e, de forma fundamental, a fisioterapia. Em alguns casos, infiltrações com corticoides podem ser indicadas para reduzir rapidamente a inflamação. A cirurgia é uma opção rara e considerada apenas quando todas as outras abordagens falham ou em casos muito específicos e complexos.
A reabilitação e a prevenção desempenham um papel crucial na recuperação e para evitar a recorrência da bursite. A fisioterapia, com exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos do ombro e da escápula, é vital para restaurar a mobilidade, melhorar a estabilidade da articulação e corrigir desequilíbrios musculares. Adotar uma postura adequada, evitar movimentos repetitivos excessivos e realizar aquecimento antes da prática de exercícios são medidas preventivas importantes para manter a saúde do ombro.